sábado, 13 de abril de 2013

Opium

Não sei que tipo de magia obscura tomou posse de meu corpo. Minha alma? Enterrada nas profundezas de meu árido coração. Mas isso não importa mais. Apenas preciso descobrir um jeito de me encontrar em meio ao vazio ao qual me submeti. Estou deitado. A grama está tão fofa. Não quero levantar, tenho medo do que posso ver. Não que já não tenha visto de tudo, mas há coisas que prefiro não me recordar.
                Pálido, levanto sobre a relva úmida. E lá estava eu, em meio ao nada em que me isolei. Olho para cima e tento distinguir o céu... Nuvens negras forradas com prata e tiras reluzentes com um púrpura suave. Relâmpagos, relâmpagos por toda parte. O céu está rachando. Ele sangra... sangra em um estrondo desesperador de agonia.
                Espelhos. Qual o sentido disso? Em que meio irracional me encontro? Seria isso real, ou apenas ilusão? Não, ilusões não te molham com a suave garoa, Lágrimas das estrelas eclipsadas por estas nuvens tão cruéis. Ilusões não te carregam com a suave brisa de inverno, tão libertadora e sufocante nesse frio irrisório.
                Olhando ao fundo o meu reflexo, não há motivos pra sorrir. Estou encarcerado nesse monte de dúvidas e respostas.

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